O Parque Estadual da Lagoa do Açu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Campos dos Goytacazes, foi palco de um registro que chamou a atenção. Uma armadilha fotográfica, instalada pelo órgão ambiental em uma das trilhas da unidade, capturou a imagem de um ratinho-goytacá (Cerradomys goytaca) — espécie ameaçada de extinção —percorrendo o parque.
O pequeno roedor possui hábitos noturnos e geralmente habita áreas mais abertas da mata de restinga. O animal se alimenta preferencialmente de coquinhos de guriri e tem uma importante função para o meio ambiente: atua como dispersor de sementes e é um bioindicador ambiental. Isso ocorre porque a existência e saúde do animal estão ligados ao estado de conservação da restinga onde ele habita, de forma restrita e exclusiva.
“A presença dessa espécie no nosso parque deve-se ao elevado grau de preservação da unidade de conservação. Por isso, é considerado um bioindicador ambiental”, ressaltou Samir Mansur, gestor do Parque Estadual da Lagoa do Açu.
O ratinho-goytacá é encontrado somente nas restingas do Norte Fluminense, em áreas protegidas. Esse pequeno roedor foi descoberto pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), William Tavares, Leila Maria e Pablo Gonçalves no Parque Nacional de Jurubariba e foi avistado também no Parque Estadual da Lagoa do Açu.
“A espécie faz parte da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza(IUCN) devido à perda de habitat e a presença de espécies exóticas que acabam por predar e competir por recursos com esses pequenos roedores”, explica o biólogo e Coordenador de guarda-parques do Parque Estadual da Lagoa do Açu, Carlos Bruno de Lemos.
A imagem do pequeno roedor foi capturada há cerca de dois meses.


