A Justiça Federal notificou a empresa Águas de Juturnaíba, concessionária responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto na Região dos Lagos, para prestar esclarecimentos sobre a poluição na Lagoa de Araruama. A notificação ocorre em meio a denúncias e investigações que apontam o lançamento de efluentes líquidos em desacordo com as normas ambientais, causando danos significativos ao ecossistema local.
A Lagoa de Araruama, uma das maiores lagoas hipersalinas do mundo, tem sofrido com a poluição decorrente do despejo inadequado de esgoto. Moradores e pescadores da região têm relatado problemas recorrentes, como a presença de manchas escuras na água, mau cheiro e a mortandade de peixes. Esses relatos motivaram a abertura de um inquérito pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar as responsabilidades.
De acordo com os relatórios técnicos elaborados pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), foram identificados níveis elevados de poluentes, como DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), Nitrogênio Amoniacal Total e Coliformes Termotolerantes, em diversos pontos da lagoa. Esses parâmetros indicam claramente a presença de esgoto não tratado ou tratado inadequadamente sendo lançado no corpo hídrico.
O Procurador da República, Leandro Mitidieri Figueiredo, destacou a gravidade da situação: “A poluição da Lagoa de Araruama é um problema crônico que afeta não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e a economia local, especialmente a atividade pesqueira. É fundamental que a concessionária responsável apresente um plano de ação efetivo para mitigar esses impactos.”
A notificação da Justiça Federal exige que a Águas de Juturnaíba forneça informações detalhadas sobre as medidas que estão sendo tomadas para resolver o problema, incluindo investimentos em infraestrutura, melhorias nas estações de tratamento de esgoto e ações de monitoramento ambiental. A empresa terá um prazo de 30 dias para apresentar sua resposta.
Enquanto isso, a população local continua a sofrer com as consequências da poluição. “Nós, pescadores, estamos vendo nossa fonte de sustento desaparecer. A quantidade de peixes diminuiu muito, e os que ainda conseguimos pescar estão contaminados. Precisamos de uma solução urgente”, afirmou Francisco da Rocha Guimarães Neto, pescador da região.
A Justiça Federal e o MPF seguem acompanhando de perto o caso, e novas ações poderão ser tomadas caso a concessionária não apresente soluções adequadas. A proteção da Lagoa de Araruama é uma questão de interesse público e ambiental que exige atenção e comprometimento de todas as partes envolvidas.


