Na última quinta-feira (16), a secretária de Saúde de Casimiro de Abreu, Luciana Garcia (foto), utilizou as redes sociais para comunicar a regularização dos pagamentos atrasados dos colaboradores do Hospital Municipal Ângela Maria Simões Menezes. No entanto, o que parecia ser o desfecho de meses de incertezas para os trabalhadores e para a população, rapidamente deu lugar a mais frustrações: funcionários denunciaram que o pagamento ainda não foi efetuado e que o hospital continua operando de forma limitada, aceitando somente casos de urgência e emergência.
O anúncio da secretária foi feito em tom de otimismo. Segundo ela, uma tutela judicial viabilizaria tanto a quitação dos salários atrasados quanto o retorno integral dos serviços de saúde oferecidos pela unidade, que é de extrema importância para o município. Entre os trabalhadores afetados estão médicos, técnicos de enfermagem, equipes de limpeza, cozinheiros, porteiros e seguranças, responsáveis pela manutenção e operação do hospital.
“Quinta-feira (16), finalmente, obtivemos na Justiça a concessão de uma tutela que garante a volta do pleno funcionamento de nossos serviços, bem como o pagamento de nossos servidores”, declarou Luciana.
Realidade diferente no hospital
Contrariando o discurso oficial, funcionários do hospital relataram que os pagamentos não foram universalizados e que grande parte dos trabalhadores, especialmente os vinculados à empresa contratada para administrar a unidade, a Organização Social (OS) Santa Casa de Misericórdia de Oliveira dos Campinhos — INSV, seguem sem receber. A INSV, responsável pelo gerenciamento do hospital até o final de 2024, é apontada como um dos principais agentes nos atrasos salariais.
Além disso, os relatos indicam que o hospital continua longe da normalidade. Fontes ligadas à unidade informaram que diversos setores seguem com equipes reduzidas, comprometendo o atendimento à população de Casimiro de Abreu.
A falta de pagamento e estrutura adequada tem aumentado a insatisfação dos colaboradores, que enfrentam despesas acumuladas, e da população, que depende desses serviços para atendimentos básicos de saúde.
Crise gerada por má gestão
Os problemas no Hospital Municipal Ângela Maria Simões Menezes foram intensificados nos últimos meses devido a uma combinação de má gestão administrativa e falhas contratuais com a OS. As dificuldades financeiras da INSV, que deveria garantir a operação da unidade até dezembro de 2024, acabaram refletindo diretamente no atraso de salários e no sucateamento do atendimento médico no hospital, impactando diretamente os cerca de 45 mil habitantes do município.
A situação de precariedade já se transformou em um caso crítico na saúde pública da região, colocando em evidência a instabilidade administrativa no governo municipal e as dificuldades na condução de parcerias com Organizações Sociais para a gestão da saúde.
Sem respostas das autoridades
Diante do agravamento da situação, o Jornal dos Municípios tentou entrar em contato com o prefeito Ramon Gidalte, que reassumiu a prefeitura nesta segunda-feira (20), após o retorno de suas férias. No entanto, nenhuma resposta foi obtida até o fechamento desta matéria. A vice-prefeitura, representada por Marquinho da Vaca Mecânica, e a secretária de Saúde, Luciana Garcia, também não atenderam às ligações para esclarecimentos sobre os salários atrasados e a situação dos serviços hospitalares.
Apesar de prometerem agir para contornar a crise, as autoridades municipais ainda não apresentaram um plano concreto para restabelecer a normalidade no hospital, agravando o sentimento de insegurança e desamparo entre os moradores e os profissionais de saúde do município.
O portal do Costa do Sol News reafirma que o espaço segue aberto para manifestações das autoridades responsáveis, enquanto a população aguarda medidas reais que possam colocar fim ao difícil cenário enfrentado na saúde pública de Casimiro de Abreu.


