Durante a sessão da Câmara Municipal desta quinta-feira (5), ocorreu um novo desdobramento no caso da polêmica fala proferida pelo vereador Magno Dheco (PP) no último dia 28.
Na sessão de terça-feira (3), a vereadora Penha Bernardes se posicionou contra a conduta de Dheco, pedindo que ele se retratasse pela fala misógina que, segundo ela, “agrediu a todas as mulheres araruamenses”. Caso negasse, a parlamentar anunciou que representaria contra ele uma Moção de Repúdio na próxima sessão e assim o fez.
O vereador foi alvo de três notas de repúdio, pela União Brasileira de Mulheres (UBM), o Partido Comunista do Brasil de Araruama (PCdoB), e a ABRACAM Mulher (Associação Brasileira das Câmaras Municipais).
Nas notas, a UBM e o PCdoB Araruama vieram a público “repudiar veementemente as ofensas e a forma totalmente desrespeitosa com a qual o Vereador José Magno Martins (Magno Dheco) proferiu em seu discurso na plenária da Câmara Municipal de Araruama, falas machistas e misóginas contra uma servidora pública, insultando assim todas as outras mulheres que compartilham do pensamento crítico”, declararam.
“O respeito à diversidade de opiniões e a defesa dos direitos das mulheres são valores fundamentais em nossa sociedade, e a atitude do vereador Magno Dheco está em completo desacordo com esses princípios. (…) Tais comportamentos não apenas prejudicam o ambiente democrático, mas também perpetuam a cultura de desigualdade de gênero que tanto lutamos para combater. É imperativo que os representantes eleitos pelo povo estejam à altura de seus cargos e atuem de maneira responsável e respeitosa, independentemente do gênero ou da opinião política de seus críticos. Comentários machistas e misóginos não têm lugar em nossa sociedade e devem ser condenados com veemência”, diz o teor da nota de repúdio encaminhada pela ABRACAM Mulher.
A Moção de Repúdio apresentada por Penha Bernardes, todavia, não pôde ser votada na sessão em questão. Devido ao grande número de ausências na Casa, os parlamentares presentes votaram pela retirada da Moção, para que possa ser votada na sessão da próxima terça-feira (10), contando com a presença de todos os vereadores — em especial, as vereadoras Roberta Barreto e Sylvinha Corrêa que não puderam comparecer e, como mulheres, devem se posicionar em um caso que afeta diretamente a todas.
Diz o teor da Moção de Repúdio: “O fato causou vergonha e indignação, por ser um ato de VIOLÊNCIA e MISOGINIA que afeta diretamente a dignidade de milhões de mulheres em todo o mundo. A manifestação, claramente representa um ato de desvalorização e desrespeito às mulheres, uma violência inaceitável. O papel da Câmara dos Vereadores é fundamental na promoção dos valores democráticos, devendo se posicionar nesses tipos de casos, assumindo uma posição em defesa da liberdade e contra a violência, especialmente à mulher, não podendo servir de palco ao machismo e à violência política de gênero. O Respeito e solidariedade às mulheres devem estar em todos os espaços, sejam eles públicos ou privados, principalmente por parte de pessoas que ocupam funções públicas”.