O mês de fevereiro chegou ao Globoplay com uma programação especial voltada à valorização da memória da teledramaturgia brasileira. Entre estreias e resgates históricos, a plataforma disponibiliza produções marcantes que fizeram sucesso em diferentes épocas da televisão, reunindo títulos que transitam entre novelas clássicas, minisséries e temporadas queridas pelo público. Desde a última segunda-feira, dia 02, o destaque está por conta da novela “Porto dos Milagres”, que integra o Projeto Originalidade, iniciativa que busca disponibilizar obras emblemáticas da Globo em sua versão original.
Exibida originalmente em 2001, “Porto dos Milagres” foi escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares e ambientada no Recôncavo Baiano, trazendo elementos da cultura popular, religiosidade e tradições locais como pano de fundo da narrativa. A trama acompanha a trajetória do pescador Guma, interpretado por Marcos Palmeira, personagem marcado pela forte ligação com o mar e com a espiritualidade, especialmente com a figura de Iemanjá. A novela constrói seu enredo a partir do confronto entre Guma e o poderoso empresário Félix Guerreiro, vivido por Antonio Fagundes, e sua esposa, Adma, interpretada por Cassia Kis, casal que representa a elite dominante da cidade fictícia de Porto dos Milagres.
O romance central envolve o relacionamento entre Guma e Lívia, personagem de Flávia Alessandra, jovem que retorna à cidade após anos afastada e enfrenta a rejeição de sua família ao se apaixonar pelo pescador. Paralelamente, a trama ganha contornos dramáticos com a presença de Esmeralda, vivida por Camila Pitanga, mulher sedutora da Cidade Baixa que também nutre sentimentos por Guma e se torna peça importante no desenvolvimento dos conflitos emocionais e sociais apresentados na história.
Protagonista da trama, Marcos Palmeira relembra a experiência de interpretar Guma: “‘Porto dos Milagres’ foi uma novela incrível para mim e representou um resgate da minha ancestralidade com a Bahia, da espiritualidade e do candomblé. Participar de uma história ligada a Iemanjá foi muito especial. Guma era um personagem lúdico, que eu adorava interpretar, e essa imersão na Bahia marcou profundamente minha carreira. Em ‘Três Graças’, fico feliz em estar de volta ao ar com Aguinaldo Silva — meu terceiro trabalho com ele, depois de ‘Vale Tudo’ e ‘Porto dos Milagres’”, conta.
Ainda dentro das novidades do mês, o Globoplay lança no dia 09, pelo Projeto Fragmentos, a novela “Duas Vidas”. Produzida em 1976, a obra chega ao catálogo com 16 capítulos preservados, permitindo ao público revisitar uma produção marcada por forte crítica social. Protagonizada por Betty Faria e Francisco Cuoco, a novela retrata o drama de moradores do bairro do Catete, no Rio de Janeiro, que enfrentam a desapropriação de suas casas devido às obras de expansão do metrô da cidade, tema que dialoga diretamente com o contexto urbano e social vivido pela população carioca na década de 1970.
Além de abordar questões relacionadas ao progresso urbano e seus impactos sociais, “Duas Vidas” também se destacou na época por retratar o cotidiano da classe média carioca, explorando conflitos familiares, relações afetivas e mudanças sociais provocadas pelo crescimento das grandes cidades. A disponibilização dos capítulos preservados reforça a proposta do Projeto Fragmentos, que busca recuperar e apresentar ao público obras cujo material original foi parcialmente perdido ao longo dos anos.
No dia 16, é a vez da minissérie “Bandidos da Falange” integrar o catálogo por meio do Projeto Resgate. Produzida em 1983, a obra apresenta uma narrativa baseada na formação de uma organização criminosa dentro do presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, misturando drama, ação e suspense. A trama acompanha a articulação de detentos em torno da busca por uma fortuna em diamantes escondida, ao mesmo tempo em que explora as relações de poder e sobrevivência no ambiente carcerário.
O elenco reúne nomes consagrados da dramaturgia nacional, como José Wilker, Betty Faria e Stênio Garcia, e a história é estruturada em diferentes fases, mostrando desde o surgimento da organização criminosa até seu declínio. A minissérie ficou marcada por seu tom realista e por abordar temas ligados à criminalidade e ao sistema penitenciário brasileiro, características que contribuíram para consolidar sua relevância histórica na televisão.
Encerrando a programação especial do mês, o Globoplay estreia no dia 23, de forma inédita na plataforma, a temporada de 2002 da novela “Malhação”. Um dos maiores sucessos voltados ao público jovem na televisão brasileira, a produção marcou gerações ao retratar o universo adolescente e temas relacionados ao amadurecimento, amizade, relacionamentos e conflitos familiares.
Na temporada disponibilizada, a história gira em torno do romance entre Pedro, interpretado por Henri Castelli, e Júlia, personagem de Juliana Silveira. O relacionamento dos jovens enfrenta obstáculos após um erro médico cometido pelo pai de Júlia, Otávio, vivido por Odilon Wagner, que deixa César, pai de Pedro e interpretado por Kadu Moliterno, paraplégico. O drama familiar serve como ponto central para o desenvolvimento da narrativa, que também aborda temas como perdão, superação e reconstrução de vínculos.
A temporada também ficou marcada por apresentar ao público o ator Cauã Reymond, em sua estreia na televisão, interpretando o surfista Maumau. O personagem rapidamente conquistou destaque ao formar uma parceria com Cabeção, papel de Sérgio Hondjakoff, protagonizando situações marcadas por humor e aventuras dentro do tradicional colégio Múltipla Escolha, cenário clássico da novela.
Com o lançamento dessas produções, o Globoplay reforça o investimento na preservação e valorização do acervo histórico da televisão brasileira. A iniciativa atende tanto ao público que deseja revisitar histórias marcantes quanto às novas gerações interessadas em conhecer produções que ajudaram a construir a identidade da dramaturgia nacional.


