A Globo estreia nesta segunda, a nova novela das sete “Coração Acelerado”, uma produção que aposta em uma narrativa intensa, marcada por conflitos familiares, amores interrompidos, ambição e música sertaneja como fio condutor. Escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, a trama se passa na fictícia Bom Retorno, cidade do interior de Goiás onde tradições, segredos e ressentimentos atravessam gerações.
A história começa às margens do rio Caturama, cenário simbólico da novela, com a família Sampaio Garcia. Eliomar Sampaio (Stepan Nercessian), homem simples e trabalhador, constrói sua vida ao lado da esposa Maria Cecília (Paula Fernandes), que sonha em se tornar cantora. Quando ela decide seguir esse desejo, acaba morrendo em um acidente de estrada, deixando marcas profundas. Abalado pela perda, Eliomar passa a associar a música à tragédia e impõe às filhas Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller) a promessa de que ninguém naquela casa voltaria a cantar.
Com personalidades opostas, as irmãs crescem sob esse peso. Zilá, a mais velha, torna-se obediente, conservadora e fiel às expectativas do pai. Janete, por outro lado, herda o talento musical e a inquietação da mãe, desafiando constantemente as regras impostas. O conflito se intensifica em 2006, quando Janete se apaixona por Alaorizinho (Daniel de Oliveira), herdeiro do poderoso Grupo Alaor Amaral. A relação provoca tensões não apenas por conta do machismo e da visão retrógrada do rapaz, mas também por reacender a rivalidade com Zilá, que já havia se envolvido com ele no passado e nunca superou a rejeição.
O ponto de ruptura acontece quando Janete decide cantar em um evento promovido pela família Amaral. A apresentação é interrompida publicamente por Alaorizinho, gerando um escândalo que abala Bom Retorno e culmina no rompimento humilhante do casal. Condenada pela cidade e profundamente magoada ao ver o pai apoiar o ex-noivo, Janete foge e corta laços com todos. Nesse momento, cruza o caminho de Jean Carlos (Ricardo Pereira), um forasteiro envolto em mistérios, relação da qual nasce Agrado (Isadora Cruz).
Criada longe da família materna e sem conhecer a verdade sobre suas origens, Agrado cresce carregando perguntas que só serão respondidas anos depois, quando retorna a Bom Retorno. É nesse reencontro com o passado que a jovem se torna uma das protagonistas da trama, ao lado do astro sertanejo João Raul (Filipe Bragança). Ídolo nacional, conhecido como “o Mozão do Brasil”, ele vive o auge da fama, mas enfrenta uma profunda crise pessoal. Preso a um contrato abusivo com o empresário Ronei Soares (Thomás Aquino) e às dívidas do pai, Walmir (Antonio Calloni), João Raul se vê impedido de escolher seus próprios caminhos.
O núcleo musical da novela revela os bastidores da indústria sertaneja, com ensaios exaustivos, superexposição e jogos de interesse. Ao redor do cantor estão figuras como o assistente Agildo Bara (Evaldo Macarrão), o amigo fiel Luan (Lucas Wickhaus) e os funcionários Cláudio (Alexandre David) e Rosinha (Yrla Braga), que ajudam a humanizar o universo do estrelato.
Já no coração de Bom Retorno estão as chamadas “ribeirinhas”: Dona Nora (Virgínia Rosa), Dona Leocádia (Cida Mendes) e Dona Rosalva (Luciana Souza). Vivendo às margens do Caturama, elas representam a memória viva da cidade. Nora é uma raizeira respeitada, guardiã de saberes ancestrais do Cerrado, que tenta transmitir seu conhecimento à neta Cinara (Ramille). Ambiciosa, Cinara escolhe usar esses dons de forma interesseira, especialmente em aliança com Zilá, agora poderosa, casada com Alaorizinho e mãe de Naiane (Isabelle Drummond), jovem mimada que reproduz os valores e preconceitos da família Amaral.
A cidade cenográfica de Bom Retorno, construída nos Estúdios Globo, reforça o realismo da trama. Inspirada em municípios como Pirenópolis, Cidade de Goiás e Pires do Rio, a cenografia valoriza a arquitetura colonial, o ambiente ribeirinho e o cotidiano do interior goiano. Cada detalhe — da poeira nas ruas às casas de barro e pau-a-pique — ajuda a criar uma atmosfera autêntica, onde passado e presente se encontram.
Com direção artística de Carlos Araujo, produção de Bruna Ferreira, produção executiva de Lucas Zardo e direção de gênero de José Luiz Villamarim, “Coração Acelerado” aposta em uma história de fortes emoções. Ao tratar de escolhas, culpa, ambição e pertencimento, a novela promete envolver o público com personagens complexos e uma narrativa em que a música, proibida para alguns, se transforma em libertação para outros.


